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Clique na imagem, ou aqui, para aceder e poder ler o artigo de opinião redigido pelo colega Fernando Ferreira (Árbitro Nacional Licenciado e, actualmente, Observador de Árbitros de Futebol de 11), sobre o desempenho das equipas de arbitragem no Euro 2008. Esta espécie de "Relatório Técnico" dos Árbitros do Euro'08 tem algumas curiosidades! Espreite...

Clique na imagem, ou aqui, para aceder e poder ler o artigo de opinião redigido pelo colega Fernando Ferreira (Árbitro Nacional Licenciado e, actualmente, Observador de Árbitros de Futebol de 11), intitulado Notas da Gestão. A ele, o nosso muito obrigado por termos alguém (que tem uma vida ligada à arbitragem e uma carreira excepcional) a colaborar neste blog.
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Domingo, o dia começa bem cedo, sete da manhã e o telemóvel já vibra sobre a madeira da mesinha de cabeceira e emite aquele som enervante do despertador, que parece que entra pela “cabeça dentro” e abana tudo o que tenho dentro dela. Logo um mau acordar! Esta vontade de permanecer na cama até mais tarde é devido às horas que estive a “remoer a nega” que dei ao pessoal, que me convidou para sair na noite anterior para ir beber um copo, mas tinha que me levantar cedo...
Depois de muito esforço lá me levanto e tomo um duche refrescante que me “abre os olhos”, visto, peça a peça, o fato com muito cuidado, faço o nó da gravata (o melhor que sei), pego no saco, já preparado no dia anterior, e lá entro eu para o carro, já atrasado e, portanto, tenho que pagar a respectiva multa, estipulada pela equipa (equipa de quê? Estará a perguntar….) de arbitragem, pois todo este esforço feito ao sábado à noite e no Domingo de manhã é devido a uma paixão que tenho, o futebol, neste caso, a arbitragem desta modalidade desportiva.
Partimos em direcção ao campo onde teremos o primeiro jogo do dia, e já não há muito tempo para lá chegarmos pois com a paragem para o pequeno-almoço, no “local da praxe”, o tempo escasseia. Uma hora antes do início jogo lá estamos nós, todos de fato e gravata igual, como uma verdadeira equipa que somos.
Depois de sabermos a cor dos equipamentos das equipas que se vão defrontar, escolhemos o nosso, pois tem que ser compatível. Recebemos os delegados de ambas as equipas, que nos vêm trazer as licenças desportivas dos seus jogadores e vamos fazer o nosso aquecimento no terreno de jogo. Voltamos à cabine e vestimos a camisola com o símbolo da instituição que representamos ao peito. Apetrechos nos bolsos, nomeadamente: cartões, caneta, moeda de sorteio e apito e para o árbitro assistente a respectiva bandeira. A chamada aos jogadores é concluída e voltamos pela última vez à cabine para deixar as licenças e para o momento fulcral, o unir das nossas mãos e desejar força e boa sorte aos três, é o nosso “grito de guerra”.
Entram as três equipas perfiladas para o terreno de jogo e depois da saudação segue-se o sorteio, “campo ou bola”; os árbitros assistentes vêem as redes das balizas, tomam as suas posições e o árbitro dá inicio ao jogo! Durante o tempo regulamentar, infelizmente, qualquer erro, seja este do guarda-redes que sofreu um “frango” ou do treinador que errou numa substituição, aos olhos do público, o árbitro é que tem culpa da equipa estar a perder. Não digo que nós não erramos muitas vezes, somos humanos, mas não temos culpa de tudo, não somos o “saco de porrada”, o alvo fácil onde o cidadão vem descarregar ao domingo o stresse de uma semana de trabalho. Nós estamos ali para tentar que se jogue futebol seguindo as regras, não para estragar o desporto, como muitos gritam para dentro do campo. Mas, infelizmente, tivemos que nos habituar a esses apupos.
Acaba o jogo, regressamos à cabine e fazemos as fichas para os clubes e o respectivo relatório do jogo para enviar para a instituição organizadora. Tomamos um banho e partimos em direcção ao campo onde teremos o segundo jogo do dia. Pelo caminho, vamos almoçando, isto é, comemos qualquer coisa para “aconchegar o estômago”, pois não há tempo para almoçar num restaurante. Chegamos ao campo e o ritual repete-se. Final do jogo, mais um duche e partimos em direcção a casa depois de muito esforço físico, e psicológico também. O caminho de regresso serve para apontar as coisas boas e o que melhorar para a próxima semana, é basicamente o momento de reflexão.
Chego a casa e caio na cama depois de um longo dia; rapidamente adormeço! É, para mim, o dia mais cansativo da semana.
Domingo, dia de descanso, mas só para alguns…

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Tiago Cerveira